Para mim foi um grande aprendizado ler esse livro, como pessoa, como professora, além de trazer lembranças de meu avô, já que Antonio Conselheiro viveu em Xorroxó e andou por praticamente todo o sertão baiano.
Também tenho a certeza que quero ler muito mais sobre a história do Brasil, a história do mundo, em geral. Além de adorar esse assunto, entendo que é uma obrigação como professora saber mais, ampliar horizontes, ter uma visão crítica da história. É claro que essa é uma versão, mas um grande trabalho do autor que me permite, hoje, pelo menos, falar com mais propriedade sobre esse triste episódio da nossa história.
Para finalizar, gostaria de deixar minha impressão sobre a guerra de Canudos, retratada nesse livro. Foi, como tantos outros episódios, uma injustiça. Foi um massacre sem razão em um povo tão sofrido, tão miserável, esquecido nos sertões da Bahia. Uma história de lutas, tragédias, devoção, fé, vidas e vidas perdidas de lado a lado, enfim, uma guerra idiota, como todas as outras, que eu acredito que nunca vou entender.
Segue algumas passagens do livro:
Sobre Antonio Conselheiro:
"Vagueia então algum tempo, pelos sertões de Curaçá, estacionando (1877) de preferencia em Xorroxó, lugarejo de poucas centenas de habitantes, cuja feira movimentada congrega a maioria dos povoadores daquele trecho do S. Francisco...." (pg 171)
Sobre o povo e seus costumes religiosos, que resolve seguir Antonio Conselheiro e se mudar para Canudos:
"Ali estavam, gafadas de pecados velhos, serodiamente peninteciados, as beatas - êmulas das bruxas das igrejas - revestidas de capona preta lembrando a holandilha fúnebre da Inquisição; as solteiras, termo que nos sertões tem o pior dos significados, desenvoltas e despejadas, soltas na gandaíce sem freios; as moças donzelas ou moças damas, recatadas e tímidas; e honestas mães de famílias; nivelando-se pelas mesmas rezas. (pg 203)
Uma pequena e triste passagem de tantas outras tristes depois de 10 meses de guerra, sobre os sertanejos:
"Um único às vezes escapava, às carreiras. Transpunha a barranca de um salto, e perdia-se nos escombros do casario, levando aos companheiros alguns litros de água que custavam hecatombes. E era um líquido suspeito, contaminado de detritos orgânicos, de sabor detestável em que se pressentia o tóxico das ptomaínas e fosfatos dos cadáveres decompostos jazentes desde muito insepultos por toda aquela orla do Vaza-Barris.
Estes episódios culminaram o heroísmo dos matutos. Comoviam, por fim, aos próprios adversários. " (pg 555)