domingo, 28 de novembro de 2010

Os Sertões - Euclides da Cunha

Estou quase no final do livro. Ele é bem descritivo, muitas vezes cansativo. Começa com a descrição da paisagem, numa linguagem bem geográfica e às vezes até técnica. Depois, em sua melhor parte, descreve o homem do sertão, as pessoas convivendo e sobrevivendo em um lugar de natureza dura, duríssima. Enfim, traz as descrições da guerra, desde o seu início.
Para mim foi um grande aprendizado ler esse livro, como pessoa, como professora, além de trazer lembranças de meu avô, já que Antonio Conselheiro viveu em Xorroxó e andou por praticamente todo o sertão baiano.
Também tenho a certeza que quero ler muito mais sobre a história do Brasil, a história do mundo, em geral. Além de adorar esse assunto, entendo que é uma obrigação como professora saber mais, ampliar horizontes, ter uma visão crítica da história. É claro que essa é uma versão, mas um grande trabalho do autor que me permite, hoje, pelo menos, falar com mais propriedade sobre esse triste episódio da nossa história.
Para finalizar, gostaria de deixar minha impressão sobre a guerra de Canudos, retratada nesse livro. Foi, como tantos outros episódios, uma injustiça. Foi um massacre sem razão em um povo tão sofrido, tão miserável, esquecido nos sertões da Bahia. Uma história de lutas, tragédias, devoção, fé, vidas e vidas perdidas de lado a lado, enfim, uma guerra idiota, como todas as outras, que eu acredito que nunca vou entender.
Segue algumas passagens do livro:
Sobre Antonio Conselheiro:
"Vagueia então algum tempo, pelos sertões de Curaçá, estacionando (1877) de preferencia em Xorroxó, lugarejo de poucas centenas de habitantes, cuja feira movimentada congrega a maioria dos povoadores daquele trecho do S. Francisco...." (pg 171)
Sobre o povo e seus costumes religiosos, que resolve seguir Antonio Conselheiro e se mudar para Canudos:
"Ali estavam, gafadas de pecados velhos, serodiamente peninteciados, as beatas - êmulas das bruxas das igrejas - revestidas de capona preta lembrando a holandilha fúnebre da Inquisição; as solteiras, termo que nos sertões tem o pior dos significados, desenvoltas e despejadas, soltas na gandaíce sem freios; as moças donzelas ou moças damas, recatadas e tímidas; e honestas mães de famílias; nivelando-se pelas mesmas rezas. (pg 203)
Uma pequena e triste passagem de tantas outras tristes depois de 10 meses de guerra, sobre os sertanejos:
"Um único às vezes escapava, às carreiras. Transpunha a barranca de um salto, e perdia-se nos escombros do casario, levando aos companheiros alguns litros de água que custavam hecatombes. E era um líquido suspeito, contaminado de detritos orgânicos, de sabor detestável em que se pressentia o tóxico das ptomaínas e fosfatos dos cadáveres decompostos jazentes desde muito insepultos por toda aquela orla do Vaza-Barris.
Estes episódios culminaram o heroísmo dos matutos. Comoviam, por fim, aos próprios adversários. " (pg 555)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Será este o lugar chamado Fazenda São José, em Chorroxó?


Quantos planos meu vô tinha de levar os netos até lá.
Saudades.

A história na literatura - Alguns de meus antepassados - Os Sertões


(Igreja erguida em 1885 por Antonio Conselheiro, em Chorroxó).

Tô lendo Os Sertões de Euclides da Cunha e aprendendo muito sobre a Guerra de Canudos e muito mais do que isso, o contexto, o pano de fundo da época da transição do Brasil Império para o Brasil República.
Um relato bem detalhado da nossa história, marcada por grandes injustiças e absurdos.
Adorei ler os nomes das cidades onde meu querido vô Zé viveu, no sertão baiano: Xorroxó, Caculé, entre tantas outras por onde ele também passou. Com passagens tão descritivas dá para (pelo menos) imaginar o sertão baiano, castigado pela natureza, esquecido pelos homens. Me lembro tanto, tanto do meu vozinho. Se ele tivesse aqui, com certeza me contaria suas histórias de sertão, com suas narrativas deliciosas, sua doçura e humor tão seculares. Que saudade avô querido, olha onde fui te encontrar, em um livro!
Mudando da prosa para não me emocionar ainda mais: Fico impressionada e me pergunto como Euclides da Cunha fazia para escrever, numa época com poucos recursos tecnológicos. Ele escreveu Os Sertões, por exemplo, quando viajou para a Bahia para cobrir de perto a guerra de Canudos, em 1897, para o jornal O Estado de São Paulo.
Quanto mais aprendo, mais sei que tenho muito que aprender. Estou gostando bastante e ainda quero ler outras versões dessa incrível e triste história.

domingo, 14 de novembro de 2010

Esaú e Jacó - Machado de Assis



É muito bom ler Machado de Assis, com seu estilo único de escrever e dialogar com o leitor. Esaú e Jacó foi o último livro escrito por ele. O que quero destacar é que aprendemos história do Brasil sempre que lemos Machado de Assis, com suas descrições da sociedade da época e seus comentários ótimos. Em Esaú e Jacó, aprendi um pouco mais sobre a proclamação da república do Brasil (15/11/1889). Acontece que o livro conta a história de dois irmãos gêmeos, muito diferentes nos gostos, em quase tudo, pois acabam se apaixonando pela mesma pessoa. Mas, como em outros assuntos são tão diferentes, um é a favor da república, e outro, do império. Assim, com bons livros de literatura, aprendemos também história. É verdade que se trata de um romance, mas os fatos estão lá, é só preciso ter em mente a subjetividade do autor, mas afinal, ela também está presente na versão dos historiadores (é da natureza humana).
Outro aspecto do livro que gostei muito, é que me lembraram meus filhos. Não são gêmeos, mas são parecidos fisicamente, do mesmo signo (leão) e muito diferentes em suas preferências. É muito curioso. Mas, voltando ao livro, é muito bom, descreve o Brasil no final do século XIX (adoro ler tudo sobre essa época) e é uma bela história de dois irmãos tão antagônicos. Eu recomendo.
(Biblioteca Metrô Tatuapé)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Cabana - William P. Young

cabana,+a
Bom, vou fazer um breve resumo: um pai que tem sua filha sequestrada e desaparecida passa por grande sofrimento e volta seu pensamento para Deus: Por que isso foi acontecer com a minha filha? Por que com nossa família? Se o Senhor é bom, me explica, por quê? Bem, mais ou menos são essas as questões do personagem principal.
Ao entrar em contato com tal enredo e por tamanho sucesso do livro, pensei estar diante de um dos maiores livros da minha vida.
Mas, qual não foi a decepção: o livro é muito repetitivo, chega a ser chato em alguns momentos e sinceramente, para uma pessoa tão pé no chão como eu, é difícil certas passagens, são questões incompreensíveis pra mim (talvez um defeito, mas ninguém é perfeito).
Assim como diz um trecho da música da Legião Urbana - Índios: "Como é que um mesmo Deus ao mesmo tempo é três?" A história se torna "demais pra mim" quando o pai encontra com Deus na cabana, conversa com ele (que na verdade é ela), depois com o Espírito Santo em pessoa (outra mulher, com aparencia vietnamita) e depois com Jesus (de aspecto oriental), todos aparecem com formas e costumes humanos, e deixam claro que também são um só, um pouco demais pra mim.
Não digo que o livro é de todo ruim, há passagens muito bonitas, metáforas bem interessantes, mas para um livro que começa com um questionamento tão bom, deixou a desejar no desenrolar da história.
Um livro muito (bem) recomendado, mas não por mim. É isso.

O amanhã a Deus pertence

amanha+a+deus+pertence,+o
Como o próprio título diz: O amanhã a Deus pertence, portanto, relaxe!
Um sentimento de apego que não separa marido e mulher nem depois da morte. O romance traz a história de um casal que aparentemente é feliz, mas que na verdade possuem poucas afinidades e objetivos completamente diferentes.
Um livro bem interessante. O que mais estou gostando dos novos livros da Zíbia é que os personagens não são "tão" fictícios: totalmente bons ou totalmente maus, ninguém é assim!!!
Enfim, é uma boa história pra ler como lazer mesmo. Eu li no ônibus e no metrô na minha travessia da zona leste para a zona oeste, durante a semana. Gostei.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010