terça-feira, 6 de novembro de 2012

Papel de pai - Giselda Laporta Nicolelis

Bom, como o próprio título diz, fala sobre um pai. Mas uma pai muito especial, pois tem apenas 13 anos de idade e sua namorada, 16.
É muito legal pois traz todas as dificuldades e conflitos de um pai adolescente, além também de uma mãe adolescente. Mas o que achei legal foi mesmo esse enfoque no pai adolescente.
O livro tem uma linguagem bem legal, própria para esse público. Gostei muito.
Aliás, foi outro livro que o Pablito teve que ler para a escola, para fazer uma prova e (ainda bem), ele gostou  
bastante também.

A invenção de Hugo Cabret - Brian Selznick

É um livro lindo tanto pela história quanto pela estética. É diferente tem muitas ilustrações que remetem aos quadrinhos. É a história de um menino que perdeu o pai, é criado por um tio, num quartinho de uma estação de trem. O tio sumiu, ele está sozinho. Mantém os relógios da estação funcionando e tem um boneco autômato que guarda um segredo. Vai conhecer um senhor mais misterioso ainda, que vai transformar sua vida, ao mesmo tempo que o menino transforma a vida desse homem. É muito, muito interessante. Se passa na Paris, se não me engano, dos anos 1930 ou 1940... Ah e fala bastante sobre o cinema e a história do cinema.
Muito recomendado também para adolescentes, aliás o Pablito ganhou esse livro na escola, esse ano.
Ah, o filme também é belíssimo...

O apanhador no campo de centeio - J.D. Salinger

É um livro emocionante. O narrador é um adolescente, usa gírias e não tem nenhuma trama mirabulosa ou complexa, mas ao mesmo tempo sua autenticidade fala sobre tudo de modo tocante e questionador. É realmente um dos livros mais marcantes que eu já li.

Chão de Meninos - Zélia Gattai

Primeiro eu li Anarquistas Graças a Deus, de Zélia Gattai. Me apaixonei.
Talvez por ter gostado tanto do primeiro livro de Zélia que li, me decepcionei um pouco com Chão de Meninos. Ainda tem a graça da autora contadora de histórias como ninguém. Mas, os vários e vários nomes, tantos personagens... talvez tenha carregado demais a leitura. Mas ainda vale a pena pelas histórias e por saber um pouco mais da história de Zélia, Jorge Amado e sua família e como pano de fundo, um pouco da história do Brasil.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Saudades, Adriana

Eu tenho um irmã
Uma irmã que foi embora, foi embora pra nunca mais, nesta vida
E o nunca mais é muito, muito tempo
Ela era e será pra sempre uma grande pessoa:
Grande, no tamanho
Gigante na beleza
Enorme, sua alegria
Grande, sua generosidade e sua pureza
Gigante, sua doçura, sua meiguice, seu olhar
Enorme, sua amizade, sempre ao nosso lado
Grande, seu amor e sua bondade
Agora você se foi e...
Grande, gigante, enorme é a saudade que você deixou...


sábado, 28 de julho de 2012

Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Alguns trechos:
(Práticas de leitura)
"À hora do chá, porém, mr. Bennet achou que a dose fora suficiente. E de bom grado acompanhou o hóspede até a sala; terminado o chá, convidou-o a ler em voz alta para as senhoras. Mr. Collins consentiu prontamente. Entregaram-lhe um livro, mas ao lançar um olhar sobre o volume (tudo indicava que era de uma biblioteca circulante) ele se recusou e, desculpando-se declarou que nunca lia romances. Kitty olhou-o fixamente, e Lydia teve uma exclamação de espanto. Foram buscar outros livros. E, depois de examiná-los, escolheu os Sermões, de Fordyce. Lydia olhou atônita para o volume aberto e, antes que ele tivesse lido três páginas com monótona solenidade, interrompendo-o, dizendo". (...) pps 84-85

(Pensamentos à respeito do casamento)
"Depois de uma pausa embaraçosa, as duas amigas se reuniram ao resto da família. Charlotte não se demorou mais por muito tempo. E Elizabeth teve o ensejo de refletir sobre o que acabara de ouvir. Mas só muito tempo depois é que se conformou com a ideia de um casamento tão disparatado. A extravagancia de mr. Collins, fazendo duas propostas de casamento em três dias, não era nada em comparação com o consentimento de Charlotte. Elizabeth sempre desconfiava de que a opinião de Charlotte sobre o casamento não se parecia muito com a sua. Mas nunca poderia ter suposto que, no instante de confrontar as suas ideias com a realidade, ela fosse capaz de sacrificar todos os seus melhores sentimentos às vantagens mundanas. Charlotte mulher de mr. Collins era um quadro humilhante. E à dor de ver uma amiga se rebaixar assim na sua estima acrescia a triste convicção de que era impossível que aquela mesma amiga fosse feliz no caminho que escolhera". (p.149)

Bom, o que é legal ao ler esse livro é pensar na ousadia da escritora, que o publicou no início do século XIX. E o melhor também não é a história, que é até um pouco fraca, eu acho. Mas vale a pena ver os diálogos, as sutilezas com que a autora nos mostra os costumes e hipocrisias da sociedade, na época. Por esse aspecto é um livro muito bom.



Romeu e Julieta - Izabel de Lorenzo ; Willian Shakespeare

Bom, estava de férias e lá fui eu pra biblioteca. Romeu e Julieta foi um dos livros que peguei. Queria ler algum clássico e já tinha lido Hamlet, de Shakespeare e adorado.
Então, esse romance não foi diferente. É uma triste história de amor, mas também fala sobre costumes e tem também doses de humor. É um romance muito inteligente. E como a autora colocou, podemos nos surpreender, pois quase todo mundo tem uma ideia da história, que na verdade é diferente. Vale muito a pena.
Ah, também para adolescentes, é muito legal.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Zélia Gattai fala sobre como começou a escrever

Brás, Bexiga e Barra Funda e outros contos - Alcântara Machao

Esse livro eu resolvi ler e empregar no trabalho de história sobre a São Paulo do início do século XX, seus costumes e seu retrato. Resolvi adotar esse livro, justamente porque estava muito focada em "Anarquistas, Graças a Deus", e por ser um trabalho científico, precisava de outra referência.
Não digo que foi uma leitura chata, mas devido ter acabado de ler o livro da Zélia, muito prazeroso de ler, senti um pouco ter de ler os contos de Alcântara Machado e não encontrar tanto prazer como o outro. 
Bom, são contos que o autor escreveu da São Paulo dos anos 1920, se não me engano, foi escrito em 1927. O autor fez parte do movimento modernista e seus contos tem essa cara moderna. São realmente retratos e não tem acabamentos com final feliz. São retratos e ponto. Também trazem bastante de crítica social e esse foi o aspecto que eu mais gostei, no livro. 
Fonte: Biblioteca Paulo Setúbal 

Anarquistas, Graças a Deus - Zélia Gattai

Bom, esse livro foi uma paixão.
Tanto que "aproveitei" para fazer inclusive um projeto de história, do curso Alfabetização e Letramento.
E não enjoei de ler e reler. 
São histórias da infância de Zélia, que descende de um família de imigrantes italianos. São histórias tristes, engraçadas e de luta. Fala também sobre os anarquistas, que não aceitavam ser dominados por governos, também eram contra as religiões, por isso, o título Anarquistas, Graças a Deus, é também uma ironia. 
Para os moralistas, anarquistas são no mínimo, bagunceiros e gente ruim. Lendo o livro, no entanto, as ideias são desmistificadas, sem no entanto ter esse propósito, pelo menos ao que parece. Isso porque são relatos de infância e da vida da família Gattai. Não há pretensão. E, a propósito os anarquistas eram muito unidos e trabalhadores. Tinham o ideal socialista e ajudavam uns aos outros, além de não demonstrarem preconceitos e de lutarem pela igualdade de direitos para todos. 
Enfim, é um livro pra ler e reler muitas vezes. 
Ah, meu trabalho foi para falar de literatura e história, nesse caso, a história da São Paulo do início do século XX. Onde, é abordado cinema, música, esportes, ruas, casas, transportes, os próprios anarquistas, enfim. Também utilizei do livro Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado.
Fonte: Um achado em alguns livros que minha mãe ganhou. 

Édipo, o maldito - Marie-Thérèse Davidson

Acabo de ler esse livro, ainda curtindo o recesso desse ano, com bastante frio e chuva.
Bom, eu gosto muito, muito mesmo desses mitos gregos. Embora ainda não tenha lido muitos. 
Eu simplesmente adorei este que acabo de ler. Acho que conta muito também a forma como o mito é contado. E eu gostei bastante dessa versão. Sim, pois de acordo com a autora, são muitas versões para o mesmo mito, que vão desde a literatura, passando pelo teatro, poemas e até cinema. 
Édipo é um filho bastardo que sabendo que pode matar seus pais, resolve abandonar o lar. Vira andarilho, chega a uma cidade, que parece abandonada, Tebas e é surpreendido pela esfinge, maldição metade mulher, metade leão, com grandes asas de pássaros, que o convida para decifrar um enigma, caso contrário, morrerá. Ele então, decifra o enigma. Vira rei de Tebas e se casa com Jocasta, a recém-viúva. Com ela tem quatro filhos. A cidade volta a ter uma maldição e é assolada por uma peste. Para salvar a cidade, ele precisa encontrar e banir a pessoa que matou o rei. Aí começa sua procura que termina em tragédia, assim como a vida de sua mulher. Claro, não vou contar tudo, mas é uma grande leitura. Indicado inclusive, para adolescentes.
Temas: a vida e seu valor; destino; liberdade.
Fonte: Biblioteca Paulo Setúbal 

sábado, 21 de abril de 2012

JOGO DE XADREZ

Na Escola do Gabriel, o professor de matemática pediu um trabalho: montar um jogo completo de xadrez.
O Gabriel e seu amigo, Henrique vieram aqui pra casa para iniciarem o trabalho.
Montar o tabuleiro, até que não era tão difícil, mas como fazer as peças do xadrez?
Eis que entra em ação o Professor Pardal, também conhecido como Márcio, paizão do Gabriel. 
Ele pensou, pensou e logo arrumou uma alternativa: acessou a internet e buscou imagens das peças do jogo.
Depois, imprimiu e os meninos recortaram e pintaram. Foi preciso imprimir em dobro para cada peça. Pintar e juntar as duas faces.
Para finalizar, foi só recortar com restos de papelão um círculo e colar as peças, para que ficassem em pé.
É isso, com muita criatividade e boa vontade, um belo trabalho. 
Será que vocês vão tirar 10?









quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Médico e o Monstro - R.L. Stevenson

Um trecho do livro:
"Não imagino que o bêbado que argumenta consigo mesmo a respeito  de seu vício leve em consideração os perigos a que se expõe devido a sua embrutecida sensibilidade física. Talvez isso aconteça uma em quinhentas vezes. Também eu, que tanto refleti sobre minha situação, deixei de avaliar corretamente a completa insensibilidade moral e o insensato pendor para a perversidade que caracterizavam Edward Hyde. Essa foi a origem de meu castigo. Meu demônio estava enjaulado havia muito: saiu em fúria". (pps 88-89)
No livro o Médico e o Monstro, um médico tenta separa o bem e o mal em cada um, com suas experiências. Para comprovar sua tese, ele mesmo será sua cobaia. O resultado é surpreendente e ele percebe que existe nele, outro ser, totalmente diferente do médico. É uma boa história.
editora ática - 96 páginas - biblioteca Vila Formosa
Obs: O Pablo teria uma prova, de língua portuguesa, onde as questões eram sobre o livro, portanto, precisava ler. E leu, eu também. E gostei. Ele também.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

História de Mayta – Mario Vargas Llosa



História de Mayta – Mario Vargas Llosa
                Começo com um trecho do livro:
                ...”Não tenho dificuldades em chegar ao asfalto que se dirige a Zárate. E o faço devagar, detendo-me a observar a pobreza, a fealdade, o abandono, o desespero que transmite este povoado cujo nome ignoro. Não há ninguém na rua, nem mesmo um animal. Por todos os lados acumulam-se, é verdade, pilhas de lixo. As pessoas, imagino, limitam-se a tirá-lo de suas casas, resignadas, cansadas de saber que não há nada que fazer, nenhum caminhão da municipalidade virá recolhe-lo, sem coragem para combinar com outros vizinhos jogá-lo mais adiante, no descampado, enterrá-lo ou queimá-lo. Devem também ter cruzado os braços e passado uma esponja em tudo isso. Imagino que a plena luz do dia mostrará, pululando, nestas pirâmides de imundície acumuladas diante dos casebres, em meio dos quais devem brincar as crianças da vizinhança: as moscas, as baratas, os ratos, as incontáveis. Penso nas epidemias, nos fedores, nas mortes precoces. (p.315).
                Primeiro, um parêntese: entender a história requer bastante atenção, porque passado e presente estão muito juntos e os personagens vão e voltam. Mas é bastante interessante. É uma ficção – e o autor deixa claro que não buscou inspiração em nenhum fato verídico, mas que por outro lado, fez muitas pesquisas histórias para inventar com propriedade.
                A narração se passa no Peru no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 (passado) e final dos anos 1970, início dos anos 1980 (deduzo eu), pois na leitura não ficou claro pra mim, ou passou desapercebido, qual é realmente a época presente da trama. É uma narrativa sobre o início da revolução socialista, no Peru. Conta um pouco da história do povo peruano, dos menos desfavorecidos, fala de pobreza, de fé, de homossexualidade, de amizade e principalmente de convicções políticas de personagens que idealizavam um país melhor para seu povo.
                A trama segue com um “suposto” amigo de Mayta, da época da escola, que segue por caminhos diferentes, sem contato com ele e atualmente recolhe, para escrever seu livro, entrevistas de personalidades que fizeram parte da vida desse personagem, que resumidamente era um revolucionário e romântico em suas convicções. Essas pessoas vão revelando, à sua maneira, as lembranças desse personagem e suas versões das vivencias políticas, revolucionárias, amorosas, entre outras de Mayta. É uma boa história. 

Desvendério – (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três) – Francisco Marques (Chico dos Bonecos)


Desvendério – (Quem conta um conto omite um ponto e aumenta três) – Francisco Marques (Chico dos Bonecos)
                Esse livro é bem poético, além de divertido. Eu peguei emprestado na biblioteca da Vila Formosa, pensando principalmente nos meus filhos, mas também nos meus alunos. É sempre bom conhecer antes o que vamos ler.
                Pablito e Gabrielzito não deram muita atenção. Mas, ontem mesmo, lemos juntos (eu e o Bibi) duas pequenas histórias deste livro: “O sol e o vento” e “O galo e a raposa”. São obras reescritas a partir das fábulas de La Fontaine, mas com uma roupagem nova, do escritor e mais do que isso, ao final das histórias, um convite a reflexão com o título de pescarias, onde o autor lança dois ou três comentários sobre a história e convida a pensar novas possibilidades.
        No início há uma história, baseada em um livro de Silvio Romero, contos populares. A história se chama O nome da fruta. Depois, vem “pescarias”, com algumas fábulas, “palavramiga” e “minha infância”.
                É um livro muito interessante, especialmente para contar para as crianças, gostei da história: O galo e a raposa; O sol e o vento; Jardineiros e jardins. E além das histórias, as propostas para pensar, são ótimas.
                Esse livro me fez lembrar de um filme: O palhaço, que apesar do título é mais para adultos do que para crianças. Não digo que esse livro seja todo indicado somente para adultos, mas grande parte, sim. E indicado no sentido de que algumas sutilezas precisam de “madureza” para se entender.
                Ah, um trecho do livro:
                ...O poema é a fruta
                  A poesia, o sabor.
                  O poema está no livro.
                  A poesia, no leitor. (p. 41)  (lindo, não é mesmo?)

Eva Luna - Isabel Allende


Minha mãe era uma pessoa silenciosa, capaz de dissimular-se entre os móveis, de perder-se no desenho do tapete, de não fazer o menor ruído, como se não existisse; contudo, na intimidade do quarto que dividíamos, ela se transformava. Começava a falar do passado ou a narrar suas histórias, e então o aposento se enchia de luz, desapareciam as paredes, dando lugar a incríveis paisagens, palácios abarrotados de objetos nunca vistos, países longínquos inventados por ela ou tirados da biblioteca do patrão; colocava a meus pés todos os tesouros do Oriente, a lua e mais ainda, reduzia-me ao tamanho de uma formiga, para eu sentir o universo a partir de minha pequenez, punha-me asas para vê-lo a partir do firmamento, dava-me uma cauda de peixe para conhecer o fundo do mar. Quando ela contava, o mundo povoava-se de personagens, algumas chegando a ser tão familiares, que ainda hoje, tanto anos depois, posso descrever suas roupas o tom de suas vozes. Ela conservou intatas suas lembranças da infância da Missão do frades, retinha as histórias ouvidas de passagem e aprendidas em suas leituras, elaborava as substâncias dos próprios sonhos e, com tais matérias, fabricou um mundo para mim. As palavras são grátis, costumava dizer e, e apropriava-se delas, eram todas suas. Semeou em minha cabeça a idéia de que a realidade não é apenas como percebida na superfície, possuindo também uma dimensão mágica e, tendo-se vontade, é legítimo exagerá-la e dar-lhe cor, para que a passagem por esta vida não se torne tão tediosa”. (pgs. 28/29)
           
         Para escrever sobre essa leitura resolvi citar um trecho que achei mágico, assim como são, as obras de Isabel. Para dizer a verdade, parece que nesse trecho encontro em palavras parte do que a leitura significa para mim. Na verdade, ás vezes parece até mesmo uma fuga e se ler fosse um ato ilícito ou uma droga, eu seria uma viciada, uma fora da lei. Mas, felizmente, é algo tido como bom em nossa sociedade e assim, posso expor meu vício sem maiores problemas.
         Porém, diferente da personagem, não acredito que seja uma boa contadora de histórias. Eu me esqueço rápido delas, mas é inclusive algo em que quero trabalhar, já que não tenho o dom natural, mas como sempre, vontade e determinação.
         Voltando ao livro e falando um pouco sobre Isabel Allende, eu simplesmente adorei a história de Eva Luna. Isabel é bastante imaginativa e sabe contar uma boa história, onde seus personagens nos levam a uma viagem sempre fantástica. E essa é mesmo incrível.
(emprestado da biblioteca Paulo Setúbal – 01/2012) 

Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert



        ...”Todas as manhãs, eu percorria a circunferência da ilha na hora do nascer do sol e fazia isso de novo quando o sol se punha. Durante o resto do tempo, simplesmente ficava sentada e observava. Observava meus próprios pensamentos, observava minhas emoções, observava os pescadores. Os sábios iogues dizem que a dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós criamos palavras para definir nossa experiência, e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira. Nós somos seduzidos por nossos próprios mantras (Eu sou um fracasso...Estou só...Sou um fracasso...Estou só...), e nos transformamos em monumentos a esses mantras. Passar algum tempo sem falar, portanto, é uma tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes.” (p. 334)
                Decidi que vou escrever sobre as minhas leituras com um trecho que me chamou a atenção no livro, que me tocou. Bom, é claro que se eu ler novamente o mesmo livro pode ser que seja especialmente tocada por outro trecho, porque tudo depende do momento em que se lê e uma nova leitura de um mesmo livro, nunca será exatamente a mesma (ainda bem). Isso explica uma das grandes mágicas da leitura, se é que mágica tem explicação.
                Bom, resumindo e sem querer explicar muito, no livro a jornalista norte americana Elizabeth Gilbert sai em busca de si mesma numa viagem por três países: Itália, Índia e Indonésia (Bali). Mas, fica claro que sua viagem interna é muito, muito maior e profunda. É uma história linda, porque fala de uma mulher que resolve sair em busca de si mesma, enfrentar os seus maiores medos, como a solidão e a depressão sozinha. É claro que ela encontra amigos em sua viagem (mas que certeza ela teria que os encontraria) e, além disso, seus maiores medos, suas maiores decisões, ela teve que enfrentar sozinha (o que realmente todos temos que fazer) e os enfrentou pra valer. Também consideremos o fato de que ela conseguiu sair para essa viagem de um ano mais ou menos protegida financeiramente, já que recebeu de uma editora o adiantamento dos direitos autorais do livro (que já tinha em mente escrever), sobre a sua viagem aos três países. Mas, por outro lado, ela tinha acabado de perder tudo o que tinha em um processo de divórcio e também não devia contar com o sucesso que foi seu livro, que inclusive virou filme protagonizado por Júlia Roberts. No exemplar que tenho em mãos (biblioteca Paulo Setúbal), consta na capa a impressionante marca de “Mais de 8 milhões de exemplares vendidos”.
                O mais legal dessa leitura é a maneira como a Liz escreve, com muito bom humor, é realmente uma leitura cativante.
                Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert – editora objetiva 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Buraco da Agulha - Ken Follet

Acabei de ler "O Buraco da Agulha", de Ken Follet. 
Gostar ou não de um livro, uma leitura, depende também de nosso estado de espírito. No início, eu quase abandonei a leitura desse livro. Mas, ainda bem que não o fiz. É uma história muito boa, sobre espionagem, na II Guerra Mundial. No final, então, parece que estamos em um filme de suspense, mas com direito a final feliz. Resumindo, um espião alemão se infiltra na Inglaterra, consegue imagens reveladoras sobre plano de guerra dos países aliados. Ele tem várias identidades e não hesita em matar, inclusive, por seu país. Depois de descobrir um grande segredo, tenta retornar para a Alemanha. Não é somente a guerra o assunto do livro, traça um perfil psicológico muito interessante de uma personagem, Lucy, que acaba virando uma espécie de heroína para seu país, Inglaterra. Além disso, ela acaba encontrando com o espião alemão, Die Nadel, que para ela é Henry. 
Bom , a história é muito, muito boa e eu não estou tão inspirada para escrever sobre ela. 
Só queria registrar que gostei, muito. 

domingo, 1 de abril de 2012

SER FELIZ AGORA

Muitas vezes nosso dia a dia é bem difícil, estressante e desanimador. Afinal, muitas vezes ele é tão monótono.
Mas, pensando bem:
Se reclamamos da segunda-feira, torcemos para que o expediente acabe, só gostamos das sextas-feiras, sábados, domingos, feriados e férias, então não há motivo para reclamar quando: nossos filhos forem embora de casa, perdermos nossos familiares mais velhos e tão queridos e quando nós mesmos estivermos velhos e com a morte batendo a nossa porta. Afinal, sempre torcemos para chegar o fim do expediente, fim de semana, fim de ano, fim da vida...
Portanto, vamos viver cada momento, cada dia, aproveitar a "viagem" e ser feliz AGORA!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Profissão: Professora

Mudar, sempre. Parece que essa é minha vida. Eu me formei professora, mas nada é igual na minha profissão. Especialmente esse ano: saí da EMEF onde tinha uma turma de 3ª série que eu adorava. O aspecto negativo era somente a grande distancia, muitas horas no trajeto até a escola e com o transporte público que temos em São Paulo, equivale a também muito cansaço...Além do precioso tempo!
Então, busquei solucionar esse problema. Trabalho a vinte minutos da minha casa. Uma maravilha. 
Mas, estou na EMEI e posso dizer que é outro mundo, outra vivência. Pra começar tenho duas turmas. É mais cansativo também, embora para muitas pessoas possa parecer o contrário. É preciso planejamento, saber dosar as atividades, não esquecer das brincadeiras, do cuidar, do educar através do lúdico. Também é necessário muita atenção, conversa, repetição. Tenho receio das crianças se machucarem sob minha responsabilidade. Mas também não deixo de fazer atividades por causa desse medo. 
Talvez por estar aberta a mudanças, eu procuro não encanar com as coisas, ter confiança na vida e me jogar. Nesse sentido, busco o melhor quando estou com as crianças. Tanto na questão do cuidar/educar/tratar com afeto e respeito, quanto no planejamento e principalmente estudo de materiais e referencias para a educação infantil. 
É claro que estudei na faculdade e foi muito bom. Mas a prática, ah, essa é a grande mestra. Sem desprezar a teoria, o grande aprendizado é o dia a dia. 
Sou feliz por aprender cada dia mais e também por poder dizer que estou gostando e me adaptando a EMEI. Acredito que esse será um grande ano de aprendizagem e vivencias muito especiais. Afinal, criança é sempre uma alegria, apesar do trabalho e cuidado que temos que ter. 
Confiança, coragem e otimismo, acredito que essas serão minhas palavras esse ano no meu trabalho. 

Mundo sem Fim - Ken Follet

Acabei de ler mundo sem fim, do autor Ken Follet. É uma história que se passa mais ou menos em meados do século XIV, na Inglaterra. Uma época dominada por injustiças, especialmente aos mais pobres, ou seja, a grande maioria da população, às mulheres e crianças. Um tempo em que a Igreja juntamente com a nobreza dominavam as pessoas. 
Nesse ponto é interessante destacar que esse domínio nem sempre era através da força, especialmente pela igreja, acontecia através da persuasão e da intimidação às pessoas cristãs (e também as que não eram). 
É uma história bem extensa, que traça a trajetória de vida de quatro crianças: Gwenda, Caris, Ralph e Merthin. Eles presenciam sem querer o assassinato de dois homens, em uma clareira numa floresta. Precisam guardar um segredo que nem mesmo conhecem, só sabem que existe. O segredo envolve disputa de poder, morte e traição. Mas o enredo principal mesmo é a vida dessas crianças que crescem, se entrelaçam muitas vezes tendo como pano de fundo ingredientes como amor, ódio, renúncia, medo, pobreza e até riqueza. Também se encontra histórias de dor causada pela peste, uma doença avassaladora que matou milhares e milhares de pessoas. 
Há  questões interessantes sobre hábitos religiosos, sociais, de higiene e saúde, de instrução, de justiça e várias outras muito diferentes dos dias atuais, ainda mais se pensarmos que a história se passa na Inglaterra  e vivemos no Brasil. Além da época a questão do lugar é também bem diversa. Mas o ser humano em sua essência e as relações humanas tem, como não podia deixar de ser, muita semelhança com o que somos hoje.  Tem a questão dos trabalhadores que eram quase como escravos e tinham suas decisões sempre dependentes da autorização ou não de seus senhores. 
Enfim, é um romance histórico muito rico não somente por sua história, mas para conhecermos também a "história", ou alguns aspectos dela. Já que um romance como esse envolve muita pesquisa e assessoria especializada: é um romance com nuances da vida real que devia haver naquela época.
Muito bonito, às vezes muito triste também. 
Obs: um livro emprestado da biblioteca municipal da Vila Formosa.