sábado, 23 de julho de 2011

Literatura e História

Aprendo muito sobre história ao ler grandes obras.
Por exemplo, ao ler As Boas Mulheres da China da jornalista e escritora Xinran, dá para aprender um pouco sobre a repressão política da China e até comparar com o livro 1984, de George Orwel: o partido acima de tudo, mais importante e poderoso do que qualquer pessoa.
Em A Casa dos Espíritos, De Amor e de Sombras e Paula, de Isabel Allende, é possível ter verdadeiras aulas e diferentes olhares da ditadura no Chile.
Em Casa de Pensão, O Mulato e o Cortiço de Aluísio Azevedo, uma aula de história do Brasil do final do século XIX e início do século XX. O mesmo para as obras de Machado de Assis.
Ken Follet, com Os Pilares da Terra I e II, um retorno a Inglaterra medieval, a um mundo onde os maiores poderosos eram membros Igreja Católica ou ligados à ela.
Euclides da Cunha em Os Sertões, um relato surpreendente, detalhado de quem viu a Guerra de Canudos de perto e denuncia: uma verdadeira covardia para com o povo sofrido de Canudos e dos arredores. Um desperdício de vidas de soldados que lutavam nem sabiam bem com quem nem qual o motivo, enfim, uma guerra estúpida, uma parte triste da nossa história. Mas não temos essa idéia ou noção ao ler os livros didáticos das escolas, ou a maioria deles.
Bom, são tantas "aulas de história" que podemos ter "literalmente" através da literatura. É claro que bom senso, percepção, outros olhares e um estudo mais aprofundado são sempre bem vindos, mas é incrível como a literatura traz em si grandes aulas de história e eu adoro.

As Boas Mulheres da China - Xinran

Um relato emocionante e muitas vezes emocionado de uma jornalista chinesa, Xinran. Ela apresentava um programa de rádio famoso na China, com o sugestivo nome de "Nas ondas da brisa noturna". Quando, aos poucos, em meio à repressão de seu país e com muitas pedras pelo caminho, ela abre espaço para suas ouvintes contarem suas vidas, angústias, histórias, fica surpresa e indignada com tantos relatos de mulheres pelos vários cantos de seu país.
Xinran vive então conflitos internos e verdadeiras guerras externas para levar seu projeto adiante: de dar vozes às mulheres da China. É incrível como da metade do século XX e até o final deste, as mulheres chinesas eram abusadas sexualmente e psicologicamente, não tinham voz, vez ou razão, eram (e talvez ainda sejam) vistas como objetos, ou como seres inferiores, não somente em alguns lugares da China como pelo mundo afora. São vários relatos emocionantes que a jornalista Xinran reuniu nesse livro, depois que foi morar na Inglaterra.
Obs: Esse livro faz parte de uma "ótima tarefa" da professora Nancy do curso de pós em Alfabetização e Letramento, da faculdade Sumaré.
É um livro inspirador e muito importante para as mulheres e homens da China e do mundo. Recomendo: para ler, reler, se emocionar, valorizar a vida, refletir.

Casa de Pensão - Aluísio Azevedo

Na minha opinião, ainda melhor que "O Mulato", Casa de Pensão é uma romance criado com muita audácia, coragem e perspicácia, onde Aluísio Azevedo nos leva para uma viagem ao Maranhão e ao Rio de Janeiro, no final do século XIX. Traição, ambição, trapaças, mentiras e por que não, um pouco de romance, fazem parte dessa história com final surpreendente. Vale muito a pena, principalmente para quem gosta do gênero naturalista e de uma narrativa ousada.

O Mulato - Alusísio Azevedo

O Mulato - uma narrativa dura e realista, como sugere um bom romance naturalista. O autor retrata a hipócrita sociedade maranhense, além de seus costumes e cultura, do final do século XIX. Na história o foco é o preconceito racial e social. Muito bem escrito, recomendo.

O Crime do Padre Amaro - Eça de Queiroz

Me surpreendi ao ler O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz.
Sua maneira de descrever a sociedade portuguesa do final do século XIX, com suas peculiaridades, costumes e de escancarar seus "podres" e hipocrisias é muito clara e corajosa. Nesse romance naturalista, ele tem a audácia de criar personagens "vilões" que são padres ou poderosos. Ele escancara a sociedade da época, com suas críticas implícitas e explícitas no romance, que além de tudo tem uma boa história e grande narrativa. Adorei.
Obs: Entenda-se por vilões as pessoas que sucumbem ao seu lado mais perverso. Porque o autor, como naturalista, cria personagens muito humanos, com suas qualidades e defeitos.

Paula

Paula, uma leitura que há muito eu buscava fazer, pois já estava apaixonada pela escritora Isabel Allende.
É uma autobiografia dela e de seus familiares. Um relato acima de tudo corajoso, engraçado, emocionante. Ela escreve para sua filha Paula, que está em coma no hospital. Sou suspeita, mas não dá para deixar de dizer que é uma leitura simplesmente imperdível.
Para quem quer conhecer a história da ditadura do Chile também vale muito a pena.