História
de Mayta – Mario Vargas Llosa
Começo com um trecho do livro:
...”Não tenho dificuldades em
chegar ao asfalto que se dirige a Zárate. E o faço devagar, detendo-me a
observar a pobreza, a fealdade, o abandono, o desespero que transmite este
povoado cujo nome ignoro. Não há ninguém na rua, nem mesmo um animal. Por todos
os lados acumulam-se, é verdade, pilhas de lixo. As pessoas, imagino,
limitam-se a tirá-lo de suas casas, resignadas, cansadas de saber que não há
nada que fazer, nenhum caminhão da municipalidade virá recolhe-lo, sem coragem
para combinar com outros vizinhos jogá-lo mais adiante, no descampado, enterrá-lo
ou queimá-lo. Devem também ter cruzado os braços e passado uma esponja em tudo
isso. Imagino que a plena luz do dia mostrará, pululando, nestas pirâmides de
imundície acumuladas diante dos casebres, em meio dos quais devem brincar as
crianças da vizinhança: as moscas, as baratas, os ratos, as incontáveis. Penso
nas epidemias, nos fedores, nas mortes precoces. (p.315).
Primeiro, um parêntese: entender
a história requer bastante atenção, porque passado e presente estão muito
juntos e os personagens vão e voltam. Mas é bastante interessante. É uma ficção
– e o autor deixa claro que não buscou inspiração em nenhum fato verídico, mas
que por outro lado, fez muitas pesquisas histórias para inventar com
propriedade.
A narração se passa no Peru no
final dos anos 1950 e início dos anos 1960 (passado) e final dos anos 1970,
início dos anos 1980 (deduzo eu), pois na leitura não ficou claro pra mim, ou
passou desapercebido, qual é realmente a época presente da trama. É uma
narrativa sobre o início da revolução socialista, no Peru. Conta um pouco da
história do povo peruano, dos menos desfavorecidos, fala de pobreza, de fé, de
homossexualidade, de amizade e principalmente de convicções políticas de
personagens que idealizavam um país melhor para seu povo.
A trama segue com um “suposto”
amigo de Mayta, da época da escola, que segue por caminhos diferentes, sem
contato com ele e atualmente recolhe, para escrever seu livro, entrevistas de
personalidades que fizeram parte da vida desse personagem, que resumidamente
era um revolucionário e romântico em suas convicções. Essas pessoas vão
revelando, à sua maneira, as lembranças desse personagem e suas versões das
vivencias políticas, revolucionárias, amorosas, entre outras de Mayta. É uma
boa história.
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