quarta-feira, 11 de abril de 2012

História de Mayta – Mario Vargas Llosa



História de Mayta – Mario Vargas Llosa
                Começo com um trecho do livro:
                ...”Não tenho dificuldades em chegar ao asfalto que se dirige a Zárate. E o faço devagar, detendo-me a observar a pobreza, a fealdade, o abandono, o desespero que transmite este povoado cujo nome ignoro. Não há ninguém na rua, nem mesmo um animal. Por todos os lados acumulam-se, é verdade, pilhas de lixo. As pessoas, imagino, limitam-se a tirá-lo de suas casas, resignadas, cansadas de saber que não há nada que fazer, nenhum caminhão da municipalidade virá recolhe-lo, sem coragem para combinar com outros vizinhos jogá-lo mais adiante, no descampado, enterrá-lo ou queimá-lo. Devem também ter cruzado os braços e passado uma esponja em tudo isso. Imagino que a plena luz do dia mostrará, pululando, nestas pirâmides de imundície acumuladas diante dos casebres, em meio dos quais devem brincar as crianças da vizinhança: as moscas, as baratas, os ratos, as incontáveis. Penso nas epidemias, nos fedores, nas mortes precoces. (p.315).
                Primeiro, um parêntese: entender a história requer bastante atenção, porque passado e presente estão muito juntos e os personagens vão e voltam. Mas é bastante interessante. É uma ficção – e o autor deixa claro que não buscou inspiração em nenhum fato verídico, mas que por outro lado, fez muitas pesquisas histórias para inventar com propriedade.
                A narração se passa no Peru no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 (passado) e final dos anos 1970, início dos anos 1980 (deduzo eu), pois na leitura não ficou claro pra mim, ou passou desapercebido, qual é realmente a época presente da trama. É uma narrativa sobre o início da revolução socialista, no Peru. Conta um pouco da história do povo peruano, dos menos desfavorecidos, fala de pobreza, de fé, de homossexualidade, de amizade e principalmente de convicções políticas de personagens que idealizavam um país melhor para seu povo.
                A trama segue com um “suposto” amigo de Mayta, da época da escola, que segue por caminhos diferentes, sem contato com ele e atualmente recolhe, para escrever seu livro, entrevistas de personalidades que fizeram parte da vida desse personagem, que resumidamente era um revolucionário e romântico em suas convicções. Essas pessoas vão revelando, à sua maneira, as lembranças desse personagem e suas versões das vivencias políticas, revolucionárias, amorosas, entre outras de Mayta. É uma boa história. 

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