...”Todas
as manhãs, eu percorria a circunferência da ilha na hora do nascer do sol e
fazia isso de novo quando o sol se punha. Durante o resto do tempo,
simplesmente ficava sentada e observava. Observava meus próprios pensamentos,
observava minhas emoções, observava os pescadores. Os sábios iogues dizem que a
dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós
criamos palavras para definir nossa experiência, e essas palavras trazem
consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira. Nós somos seduzidos
por nossos próprios mantras (Eu sou um
fracasso...Estou só...Sou um fracasso...Estou só...), e nos transformamos
em monumentos a esses mantras. Passar algum tempo sem falar, portanto, é uma
tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar
com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes.” (p. 334)
Decidi
que vou escrever sobre as minhas leituras com um trecho que me chamou a atenção
no livro, que me tocou. Bom, é claro que se eu ler novamente o mesmo livro pode
ser que seja especialmente tocada por outro trecho, porque tudo depende do
momento em que se lê e uma nova leitura de um mesmo livro, nunca será
exatamente a mesma (ainda bem). Isso explica uma das grandes mágicas da
leitura, se é que mágica tem explicação.
Bom,
resumindo e sem querer explicar muito, no livro a jornalista norte americana Elizabeth
Gilbert sai em busca de si mesma numa viagem por três países: Itália, Índia e
Indonésia (Bali). Mas, fica claro que sua viagem interna é muito, muito maior e
profunda. É uma história linda, porque fala de uma mulher que resolve sair em
busca de si mesma, enfrentar os seus maiores medos, como a solidão e a
depressão sozinha. É claro que ela encontra amigos em sua viagem (mas que
certeza ela teria que os encontraria) e, além disso, seus maiores medos, suas
maiores decisões, ela teve que enfrentar sozinha (o que realmente todos temos
que fazer) e os enfrentou pra valer. Também consideremos o fato de que ela
conseguiu sair para essa viagem de um ano mais ou menos protegida
financeiramente, já que recebeu de uma editora o adiantamento dos direitos
autorais do livro (que já tinha em mente escrever), sobre a sua viagem aos três
países. Mas, por outro lado, ela tinha acabado de perder tudo o que tinha em um
processo de divórcio e também não devia contar com o sucesso que foi seu livro,
que inclusive virou filme protagonizado por Júlia Roberts. No exemplar que
tenho em mãos (biblioteca Paulo Setúbal), consta na capa a impressionante marca
de “Mais de 8 milhões de exemplares vendidos”.
O
mais legal dessa leitura é a maneira como a Liz escreve, com muito bom humor, é
realmente uma leitura cativante.
Comer,
rezar, amar – Elizabeth Gilbert – editora objetiva
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