quarta-feira, 11 de abril de 2012

Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert



        ...”Todas as manhãs, eu percorria a circunferência da ilha na hora do nascer do sol e fazia isso de novo quando o sol se punha. Durante o resto do tempo, simplesmente ficava sentada e observava. Observava meus próprios pensamentos, observava minhas emoções, observava os pescadores. Os sábios iogues dizem que a dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós criamos palavras para definir nossa experiência, e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira. Nós somos seduzidos por nossos próprios mantras (Eu sou um fracasso...Estou só...Sou um fracasso...Estou só...), e nos transformamos em monumentos a esses mantras. Passar algum tempo sem falar, portanto, é uma tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes.” (p. 334)
                Decidi que vou escrever sobre as minhas leituras com um trecho que me chamou a atenção no livro, que me tocou. Bom, é claro que se eu ler novamente o mesmo livro pode ser que seja especialmente tocada por outro trecho, porque tudo depende do momento em que se lê e uma nova leitura de um mesmo livro, nunca será exatamente a mesma (ainda bem). Isso explica uma das grandes mágicas da leitura, se é que mágica tem explicação.
                Bom, resumindo e sem querer explicar muito, no livro a jornalista norte americana Elizabeth Gilbert sai em busca de si mesma numa viagem por três países: Itália, Índia e Indonésia (Bali). Mas, fica claro que sua viagem interna é muito, muito maior e profunda. É uma história linda, porque fala de uma mulher que resolve sair em busca de si mesma, enfrentar os seus maiores medos, como a solidão e a depressão sozinha. É claro que ela encontra amigos em sua viagem (mas que certeza ela teria que os encontraria) e, além disso, seus maiores medos, suas maiores decisões, ela teve que enfrentar sozinha (o que realmente todos temos que fazer) e os enfrentou pra valer. Também consideremos o fato de que ela conseguiu sair para essa viagem de um ano mais ou menos protegida financeiramente, já que recebeu de uma editora o adiantamento dos direitos autorais do livro (que já tinha em mente escrever), sobre a sua viagem aos três países. Mas, por outro lado, ela tinha acabado de perder tudo o que tinha em um processo de divórcio e também não devia contar com o sucesso que foi seu livro, que inclusive virou filme protagonizado por Júlia Roberts. No exemplar que tenho em mãos (biblioteca Paulo Setúbal), consta na capa a impressionante marca de “Mais de 8 milhões de exemplares vendidos”.
                O mais legal dessa leitura é a maneira como a Liz escreve, com muito bom humor, é realmente uma leitura cativante.
                Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert – editora objetiva 

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