quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

Ensaio Sobre a Cegueira (1995 - Edição 23)
Um livro do famoso escritor José Saramago, que morreu esse ano e cujo o qual eu ainda não tinha lido nenhum livro. Posso dizer que gostei muito, mas confesso que no início é estranho porque ele não usa muitos parágrafos e pontos nas frases, que muitas vezes são separadas por vírgula, mas basta ler uma ou duas páginas e voce já entende o seu jeito e consegue compreender claramente onde a vírgula é para nós, um ponto e consegue assim, compreender.
A história é genial pois fala de uma cidade onde aos poucos, seus habitantes vão perdendo a visão. Imagine uma pessoa de repente, muito de repente e sem explicação científica se "ver" diante de uma cegueira branca onde não enxerga mais nada além de uma cegueira branca como o leite. Esse fato só por si já é muito difícil pra qualquer pessoa, mas tudo vai ficando cada vez pior com a quarentena dos cegos e das pessoas mais próximas a eles, o medo de nunca mais voltar a enxergar, a falta de respostas para tal doença e o local para onde os cegos são enviados, ou melhor, quase abandonados à própria sorte, onde encontram com pessoas nas mesmas condições de cegueira, pessoas boas e outras, nem tanto, que são capazes de matar, roubar, violentar as mulheres do local, mesmo estando cegas: afinal elas cegaram de repente e o que eram até então, não muda em nada.
É um livro bem interessante, mas também bem pessimista, é como uma história com acontecimentos ruins que parecem só piorar. Mas, é um grande enredo que mexe com nossa consciência sobre o que é a vida, o ser humano e a sociedade e até que ponto as pessoas podem ser solidárias umas com as outras, solidárias com o seu próximo. E também sobre a essência de cada ser humano, onde nem mesmo uma desgraça como ficar cego muda alguma coisa, para algumas pessoas. Mas também mostra o desprendimento de uma mulher que fica ao lado de seu marido até o final e faz de tudo para ajudá-lo e também as pessoas mais próximas. É uma história incrível que "virou" até filme, o qual quero assistir.
Ah, outra peculiaridade do autor, não sei se só nesse livro, ou em todos: seus personagens não tem nomes, mas são citados por uma ou outra característica, seja física, profissional, ou mesmo de condição. Por exemplo, os personagens principais do livro: o médio (oculista), a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o velho da venda preta, o menino estrábico.
Recomendo: é uma grande história, assim como devem ser as demais desse autor, que faz compreender o seu reconhecimento de crítica e público, mas, não entendi bem a última linha do livro, quem sabe o filme me "explica".

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