Mais um livro que o Pablo ganhou na escola e que eu adorei. São duas peças gregas, da Grécia antiga, seus autores viveram no século V a.C. Este é um grande motivo para eu adorar os clássicos. Eles tratam de questões da humanidade, de tempos tão antigos e que perduram até hoje em dia. A adaptação dos textos é de Luiz Antonio Aguiar e as ilustrações de Marcelo Pimentel.
Prometeu:
Muitos textos da Grécia antiga misturavam aos seus personagens os deuses mitológicos. Prometeu, o personagem principal dessa peça é um deus. Ele é punido com uma pena muito dolorosa. Fica preso em um rochedo, longe de tudo, acorrentado e ainda pregado. Não fosse pouco, todos os dias uma ave terrível come seu fígado, que é reconstituído para sua refeição do dia seguinte. E como Prometeu é um deus, tem vida eterna, sua pena deve ser perpétua.
Quem condenou Prometeu foi Zeus, pois Prometeu mostrou a humanidade o fogo e também iluminou a todos com o poder do pensar, refletir, questionar. Zeus, o deus todo poderoso não queria que a humanidade se "iluminasse", deveria permanecer na ignorância. Por isso, castigou Prometeu. Mas, o destino reserva coisas que nem mesmo Zeus sabe, somente Prometeu, que também tem o dom da profecia e sabe que seu destino deve mudar e seu castigo um dia terá um final.
A história é muito interessante também pelos diálogos e pelas questões que levanta. Por exemplo, Prometeu afirma que mesmo sabendo que seria punido, não se arrepende e faria tudo de novo. É um herói e ao mesmo tempo, trava diálogos muito interessantes e ás vezes até hostil com quem vai visitá-lo.
Trecho (Diálogo entre Oceano e Prometeu):
"Oceano: Salve, meu irmão Prometeu! Depois de percorrer países imensos puxado puxado por este monstro alado, e não tem freio e me leva independentemente da minha vontade, finalmente consegui chegar até aqui para me colocar ao seu lado. Diga-me, Prometeu, o que posso fazer para ajudá-lo?
Prometeu: E você não sabe?
[Ri.]
Pede a mim, nesta condição desgraçada em que me encontro, para ajudar você... a me ajudar! Mas que curioso. Será que você veio até esta rocha erma realmente para me prestar auxílio ou para assistir ao espetáculo de minha tortura? Porque tenho certeza de que você e todos os demais deuses sabem muito bem o que deve ser feito! Devem derrubar aquele que eu ajudei a subir ao trono! (pps. 30-31)
Alceste
Outra tragédia com um tema intrigante. Um rei vai morrer e somente se alguém se sacrificar em seu lugar, terá sua morte adiada. Ele recorre aos seus pais, já bem velhos, para morrerem por ele, mas estes não aceitam. Somente sua jovem esposa, Alceste, é quem aceita morrer para que seu marido viva. A cena já começa com Alceste no leito de morte e as comoventes despedidas de seu marido, filhos, empregados. É bem triste. Também é uma peça que tem deuses como personagens, tais como Apolo e Hércules. Aliás, este último dá um final surpreendente para a história. Somente o fato de uma esposa aceitar morrer pelo marido já é bastante intrigante. Mas a leitura traz também diálogos que nos fazem pensar. Como o do filho acusando o pai de ter deixado que sua esposa morra, enquanto ele, pai, velho, podia morrer por ela. Ao que o pai retruca que o filho é um covarde, pois quem deveria morrer era ele. Enfim, há diálogos incríveis. É um livro, muito bom.
Trecho (Héracles falando a um Servo)
" Servo de Admeto, que tristeza é essa? Por que esse luto, essa sua cabeça raspada e essas suas roupas negras? Sua obrigação é servir aos hóspedes sem demonstrar desagrado, sejam lá quais forem os problemas por que esteja passando. Como então você ousa exibir essa sua cara sombria a um amigo do rei? Ora, deixe eu lhe ensinar uma coisa. Sim, algo que você parece desconhecer. Todos morreremos, mais cedo ou mais tarde. Na verdade, quem pode dizer que acordará vivo amanhã? Ninguém é capaz de prever seus futuro, e nenhum conhecimento jamais controlará o destino.
Então, agora, que aprendeu isso, me traga mais vinho. Quero música! Quero alegria em torno de mim. Nós, os mortais, somos donos apenas de nosso presente e o resto está fora de nossas mãos. Assim, beba comigo e festeje o fato de estar vivo aqui e agora. Viva Dionísio, o deus mais generoso em relação aos mortais. Dele vêm os maiores prazeres que temos direito neste mundo.
Vem, deixa de lado a sua tristeza. Vamos fazer nossas taças dançarem. Enfeita a sua cabeça! Para as pessoas amarguradas, a vida só é feita de desgraças. Não sabem apreciar o que ela pode nos oferecer."
(pps. 101-102)
Eu recomendo para jovens leitores, mas também para leitores de todas as idades. São clássicos para serem lidos e relidos.
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